Alimentação consciente: um ato de alquimia

Todo o processo que envolve a alimentação é maravilhoso. Desde o momento em que a semente vai para a terra e é gestada pelo útero da grande mãe natureza, cresce, dá frutos, eles são colhidos e chegam à nossa boca; até quando eles são processados no laboratório do corpo físico e reabastecem a nossa energia.

(que delícia é colher e comer os frutos direto da árvore, huummm).

Em cada uma dessas etapas ocorre uma incrível transformação que possibilita a manutenção da nossa própria vida. Por isso, seria uma grande dádiva podermos participar ou pelo menos conhecer a produção dos alimentos que consumimos.

Infelizmente, a ilusão da praticidade nos desconectou desse processo. A falta de atenção é tão grande que muitas vezes nem lembramos o que comemos na última refeição. Na maioria das vezes só começamos a prestar atenção na qualidade da nossa comida quando já estamos doentes.

Mas não deveria ser assim. Para nutrir o corpo precisamos não apenas comer, satisfazendo uma necessidade. Precisamos nos alimentar de forma consciente.

A preparação dos alimentos é um momento mágico. Podemos impregnar os ingredientes com nossas melhores intenções e para isso é importante manter um estado de consciência positivo ao cozinhar. Não é à toa que as comidas preparadas por nossas avós e mães são tão especiais. Um simples caldinho de legumes é capaz de nos levantar da cama e curar doenças.

Não é que ele tenha propriedades medicinais. O que acontece é que a pessoa que fez aquela comidinha simples teve a mais sincera intenção de nos ajudar a melhorar. É o famoso “temperado com amor”, que faz verdadeiros milagres.

Seria de grande benefício ter pelo menos uma erva plantada em um vaso que pudesse ser usada em um prato preparado por nós mesmos. Parece um detalhe tão insignificante, mas energia que vai junto com aquelas folhinhas pode fazer uma grande diferença.

É preciso sensibilidade para perceber os detalhes mais sutis que transformam nossa qualidade de vida.

Outro fato interessante de observar é a forma como nos alimentamos, os comportamentos, sentimentos e pensamentos que temos enquanto ingerimos a comida. Ver um telejornal cheio de tragédias na hora do almoço ou do jantar é o mesmo que colocar uma colher cheia de emoções negativas no prato.

O ideal é permitir-se ter esse momento para sentar-se comodamente diante da refeição, estar no presente, respirar corretamente, salivar, mastigar, deglutir (você sabe o que é isso? Não é o mesmo que engolir!) e, assim, saborear e absorver tudo o que aquela refeição tem para oferecer.

O processo de alimentar-se é, portanto, um verdadeiro ritual que culmina na mesa (como se ela fosse um altar). É muito importante honrar aqueles alimentos que estão ali para serem consumidos, afinal de contas, eles doam a vida pela manutenção da nossa.

Se isso acontece com os animais, acontece com os vegetais também. Parece que esquecemos que eles também são seres vivos e merecem ser honrados. Fazemos isso com atitudes simples como as que estão aqui e também nos esforçando ao máximo para evitar o desperdício.

Quando nos alimentamos estamos realizando um ato de alquimia que deve ser respeitado à altura do que ele proporciona.

Raíla Maciel

Leave a Comment