Quem você é e o que você faz: existe diferença?

Imagine que você chega a um evento social e precisa se apresentar para um pequeno grupo de pessoas. Diz como se chama e…

a) quem é você;

b) o que você faz;

Se não ficou clara a diferença entre as alternativas pode ser que você seja realmente muito apaixonado pelo seu trabalho, a ponto de não conseguir separar a sua vida da sua “missão”.

Ou (o que é mais fácil) você assimilou de alguma forma uma ideia equivocada e bastante comum para a nossa sociedade. A de que:

somos aquilo que fazemos e/ou temos.

Antes de rechaçar essa reflexão, responda com sinceridade:

  • Alguma vez na vida você já perguntou a uma criança o que ela quer SER quando ela crescer, fazendo referência à PROFISSÃO que ela deseja seguir?
  • Ou já puxou conversa com uma pessoas desconhecida perguntando o que ela faz, mesmo sabendo que esse é um gatilho invasivo?
  • Já se sentiu desconfortável ao mencionar a sua própria ocupação profissional?

Essas questões nos fazem perceber que depositamos um grande valor na questão profissional, mesmo sabendo que ela não é tudo na vida de uma pessoa. Afinal, podemos mudar de trabalho de uma hora para outra, seja por vontade própria ou por força das circunstâncias.

Estamos vivendo uma dura realidade em que o desemprego já atingiu uma grande parcela da população. Isso fez com que até pessoas qualificadas se vissem obrigadas a trabalhar em uma nova área de atuação.

Por necessidade, muitos tiveram que desapegar de títulos e carreiras para conseguir pagar os boletos, o que hoje já se tornou quase um privilégio. Porém, o que à primeira vista parece algo desolador pode trazer uma importante resinificação.

Constatamos com isso que a profissão é apenas UM aspecto do universo de possibilidades que um ser humano carrega dentro de si. É um erro nos reduzir a tão pouco.

Mesmo sabendo que a carreira é importante e que exige muita dedicação e energia, precisamos nos lembrar que existe um ser humano para além do advogado, do médico, do policial, do servidor público, etc…

Quantos desses profissionais não pagam um preço altíssimo para sustentar o status profissional e, para isso, muitas vezes sacrificam a própria felicidade, o que chega a ser um paradoxo já que o trabalho deveria ser um dos alicerces de uma vida plena e feliz e não o contrário.

Sendo assim, não é saudável atribuir ao trabalho ou à carreira todo o valor de uma pessoa. Até porque existem profissionais de sucesso sem nenhuma virtude ou com um péssimo caráter. Assim como existem pessoas valiosíssimas e que podem acrescentar muito às nossas vidas, mesmo sem ter nenhum título.

Pense a respeito.

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